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Pronunciamento, sobre a Campanha da Fraternidade, na Câmara Municipal de Dourados
Por: Redação

          Meus amigos e minhas amigas,

    Quero, antes de mais nada, na pessoa do Sr. Presidente, Idenor Machado, saudar e agradecer a todos os Edis, por terem acolhido o pedido que lhes fiz, de poder estar aqui hoje, nesta Casa de Leis, para discorrer sobre a Campanha da Fraternidade, na sequência do que foi feito nos anos anteriores. Quero também saudar e agradecer a todas as pessoas que se fazem presentes, bem como as que nos acompanham pelo Canal Boa Vida e pela Rádio Caiuás.


    A 52ª edição da Campanha da Fraternidade, em andamento nesta Quaresma e ao longo do ano, tem como tema “Igreja e Sociedade” e, como lema, as palavras de Jesus: “Eu vim para servir”. Seu intento é dinamizar, atualizar e reviver o espírito e a mensagem do maior evento da Igreja Católica realizado no século passado, o Concílio Vaticano II, do qual se celebram, neste ano, os 50 anos de seu encerramento.


    Desde a abertura até a sua conclusão, o Concílio teve como propósito e ideal colocar a Igreja em estado permanente de conversão, para que seus membros pudessem atuar satisfatoriamente pelo bem da sociedade onde se inserem.


    Para entender o espírito do Concílio – e da atual Campanha da Fraternidade – dois textos parecem de fundamental importância. O primeiro faz parte do discurso de sua abertura, pronunciado pelo Papa João XXIII, no dia 11 de outubro de 1962: «A Igreja sempre se opôs aos erros. Foram muitas as vezes que os condenou com a maior severidade. Hoje, porém, ela prefere recorrer mais à misericórdia do que à severidade. Julga satisfazer melhor às necessidades mostrando a validade de sua doutrina do que combatendo os erros. Seu desejo é ser mãe amorosa de todos, benigna, paciente, cheia de misericórdia e de bondade com os filhos que dela se separam».


    Três anos depois, no dia 7 de dezembro de 1965, véspera do término dos trabalhos conciliares, o Papa Paulo VI aprovou um dos  principais documentos produzidos pelo Concílio (denominado, em latim, “Gaudium et Spes”), cuja finalidade era definir a presença da Igreja no mundo. Eis suas palavras iniciais: «As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angustias dos discípulos de Cristo. Nada existe de verdadeiramente humano que não lhes ressoe no coração. A comunidade cristã se sente solidária com o gênero humano e com sua história».


    A Campanha da Fraternidade deste ano retoma o que podemos denominar “a nota marcante” das quatro sessões que se realizaram durante o Concílio (em três delas, esteve presente o bispo de Dourados de então, Dom Carlos Schimitt), nota marcante que pode ser assim sintetizada: uma Igreja que se converte e renova para melhor servir à sociedade.


    Foi o que lembrou o Secretário Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Leonardo Steiner, por ocasião do lançamento da Campanha da Fraternidade, na quarta-feira de cinzas, dia 18 de fevereiro: «Por ser Igreja, todo batizado é povo de Deus e deve estar no meio da sociedade, ajudando na sua transformação. Precisamos ser uma Igreja atuante, que leve os valores do Evangelho sem medo e da melhor maneira possível».


    Ele concluiu seu pronunciamento conclamando os cristãos a se engajarem na Campanha em favor do Projeto de Lei de Iniciativa Popular pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas. Em sua opinião, uma ação concreta da Campanha da Fraternidade poderia ser o recolhimento de assinaturas para o êxito da Campanha.


    Seu pensamento foi retomado pela Pastora Romi Márcia Bencke, Secretária Executiva do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC): «O tema deste ano nos desafia para uma ética global de responsabilidades, que fortaleça os direitos dos povos, privilegie a solidariedade internacional e supere os egoísmos confessionais e nacionais. O tema nos ajuda a refletir sobre o nosso papel enquanto Igrejas e religiões. Liberdade, direito, razão e dignidade humana fazem parte do nosso papel missionário».


    Em sua mensagem enviada ao povo brasileiro na mesma ocasião, o Papa Francisco lembra que «cada cristão é chamado a ser instrumento de Deus a serviço da promoção dos pobres, para que possam integrar-se plenamente na sociedade. Cada um deve fazer a sua parte, começando em sua casa, em seu trabalho, ao lado das pessoas com quem se relaciona».


    O cartaz da Campanha da Fraternidade retrata o Papa Francisco lavando os pés de um fiel na quinta-feira santa de 2014. O lava-pés pode ser visto como a expressão concreta de como Jesus, o Papa Francisco e todas as pessoas que amam a Deus e a humanidade, desejam ver a Igreja: uma Igreja não centrada em si mesma, em salvaguardar sua estrutura, seus direitos e seus privilégios, mas em estado permanente de acolhida, abertura e serviço. Como, aliás, disse e agiu Jesus: «Vocês entenderam o que eu fiz? Vocês me chamam “mestre” e “senhor”. E vocês têm razão, porque de fato o sou. Pois bem, seu eu lhes lavei os pés, também vocês devem lavar os pés uns dos outros» (Jo 13,12-14).


    Em outras palavras, é também o que ensinava e vivia o bispo italiano, João Batista Scalabrini, conhecido como “apóstolo dos migrantes”: «Colocar-se de joelhos diante do mundo e implorar, como uma graça, a permissão para lhe fazer o bem. Eis o espírito, a identidade e a única ambição de um bispo, de um padre, de um cristão!».


    Em resumo, uma fé, uma espiritualidade que, na medida em que se abre para Deus, aprende e tem condições para atuar eficazmente pelo bem dos irmãos. É o que repete constantemente o Papa Francisco, desde a sua Exortação Apostólica “A alegria do Evangelho”, do dia 24 de novembro de 2013:


    «A tarefa da evangelização implica e exige a promoção integral de cada ser humano. A religião não deve limitar-se ao âmbito privado nem é apenas útil para preparar as almas para o céu. Deus deseja a felicidade dos seus filhos também nesta terra, embora sejam chamados à plenitude eterna, porque Ele criou todas as coisas a nosso serviço, para que todos possam usufruir delas. Por isso, a conversão cristã exige rever tudo o que diz respeito à ordem social e à consecução do bem comum». «Uma fé autêntica – que nunca é cômoda nem individualista – comporta sempre um profundo desejo de mudar o mundo, transmitir valores, deixar a terra um pouco melhor depois da nossa passagem por ela. Amamos este magnífico planeta, onde Deus nos colocou, e amamos a humanidade que o habita, com todos os seus dramas e cansaços, com os seus anseios e esperanças, com os seus valores e fragilidades. A terra é a nossa casa comum, e todos somos irmãos. Embora a justa ordem da sociedade e do Estado seja dever central da política, a Igreja não pode nem deve ficar à margem na luta pela justiça. Todos os cristãos, incluindo os Pastores, são chamados a preocupar-se com a construção de um mundo melhor» (Nº 182/183).


    E para que não pairem quaisquer dúvidas a esse respeito, não poucas vezes ele radicaliza seu pensamento, como quando afirmou: «Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja doente pelo fechamento e pelo comodismo de se agarrar às próprias seguranças. Não quero uma Igreja preocupada em ser o centro. Se alguma coisa nos deve inquietar e preocupar é que haja tantos irmãos que vivem sem a força, a luz e a consolação da amizade com Jesus Cristo, sem uma comunidade de fé que os acolha, sem um horizonte de sentido e de vida. Mais do que o temor de falhar, espero que nos mova o medo de nos fecharmos em estruturas que nos dão uma falsa proteção, em normas que nos transformam em juízes implacáveis, em hábitos em que nos sentimos tranquilos, enquanto lá fora há uma multidão faminta, e Jesus nos repete sem cessar: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mc 6, 37)» (Nº 49).


    É justamente esse o desafio, o compromisso que a Campanha da Fraternidade de 2015 nos apresenta. Se temos a alegria de saber que Deus sempre faz a sua parte, a nós confia a tarefa (que é também alegria) de fazermos a nossa parte. É assim que poderemos ter a esperança de contribuir para um mundo mais fraterno, mais justo e mais solidário.

 

    Muito obrigado!












Dourados - MS - 79800-000
Tel: 67 3422-6910

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