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13/03/2017
Ainda faz sentido a Quaresma?
Por: Redação

     Com quase meio século de vida, contemplei outros tempos e hoje observo mudanças rápidas nas condutas, especialmente costumes religiosos. Nasci no semiárido nordestino, região extremamente sofrida, mas habitada por um povo alegre, trabalhador, valente e místico.


     O calendário litúrgico católico é dividido em quatro tempos celebrativos que introduz os fiéis na dinâmica da vida de Jesus Cristo, isto é, no mais íntimo da humanidade. A Quaresma, portanto, não é uma repetição cíclica do tempo, mas é um momento único, é um tempo divino que precisa ser aproveitado, porque Jesus passa ao lado de cada pessoa, oportunizando mudanças.


     Os tempos mudaram, as práticas religiosas também. Três, quatro décadas atrás este período litúrgico proporcionava mudanças comportamentais; era comum observar, que as palavras eram mais comedidas, o jeito de se vestir, de festar eram mais serenos, era assim na minha terra; parece bobagem, parece, porém pode não ser. É claro que Deus quer o coração e não práticas externas, no entanto, "a boca fala do que o coração está cheio", a exterioridade também pode ser fruto daquilo que está na mente e no coração.


     O certo é que este tempo de 40 dias, continua a ser para os fiéis um retiro espiritual, quando o esforço da meditação da Palavra e da Oração, aliada ao esforço da "mortificação" de certos modos de se portar, pode contribuir para a melhoria pessoal e comunitária. Lembra-se que a Quaresma é tempo de Oração, de Penitência e de Caridade (solidariedade), enfim, ela introduz o crente no Mistério da Ressurreição a ser celebrado na Páscoa.


     É prematuro afirmar que o "homem" ocidental não quer mais saber de coisas duradouras, das atitudes religiosas, todavia, percebe-se um modo de vida que tem medo da "Cruz" do Senhor, isto tem relação com a maldição linguística que se jogou na Cruz, pois todas as coisas desagradáveis passaram a receber este nome, mas a Cruz tem um sentido sobrenatural, não é fruto do masoquismo. Todos têm momentos difíceis, este símbolo lembra que um HOMEM-DEUS assumiu a humanidade nas suas dificuldades, ressignificando a Cruz de sinal de derrota e sofrimento em sinal de vitória.


     Pode ser que tantas formas de negação da Cruz se manifestem no esquecimento de métodos milenares, que, talvez revelem uma exterioridade vazia, sem sentido, buscando nas coisas, eventos, camuflar os sofrimentos não assumidos e redimidos. Assim, a Quaresma continua a possibilitar uma volta ao interior e ao verdadeiro significado do ser humano, que está associado ao SALVADOR. Não é para repetir maneiras antigas; assim como também para não celebrar, esquecer, passar uma borracha, como se o tempo atual não tivesse mais espaço para o religioso.


     Hoje, ainda mais, se faz necessário valorizar a preparação para a Páscoa, pois o ser humano precisa voltar-se para si mesmo, para sua interioridade, procurando sentido não no externo, mas olhando-se, conhecendo sua essência. A Quaresma é favorável para esta reflexão, e mais, ela oferece a possibilidade da solidariedade, incentivando cada pessoa a ir ao encontro de outras, de criar relações fraternidade, derrubar barreiras e oferecer o perdão, que é um excelente meio de apaziguar o interior humano.


 

 

     Muitos questionam se é só nestes 40 dias que se deve valorizar tais comportamentos. Não! Os 40 dias são favoráveis para meditar sobre o tipo de vida, e melhorar para além deles, vivendo a alegria da Páscoa e desfrutando de novos modos, comportamentos e relações...


Pe. Crispim Guimarães

Pároco da Catedral de Dourados












Dourados - MS - 79800-000
Tel: 67 3422-6910

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